» »  Agradecemos ao Sander DeMira a gentileza de compartilhar seu texto e seu conhecimento.

O brasileiro aos poucos deixa de ser aquele sujeito interessado em levar vantagem em tudo. Atos de corrupção, mesmo aqueles que já foram vistos com condescendência e ditos “insignificantes”, passaram a ser avaliados de forma negativa e deixaram de ser tolerados. A ultrapassagem pelo acostamento no engarrafamento, o “fura fila” no supermercado e outros “hábitos” do brasileiro já não são sinônimos de malandragem outrora louvada – e essa é uma ótima notícia. Ao mesmo tempo, cresce a intolerância com a falta de ética – e isso é essencial para avançarmos como País.

Para as empresas e as entidades representativas, a mudança exige a busca constante pela transparência. Além de atuar com responsabilidade crescente, é preciso incorporar ao dia a dia o senso de que é necessário prestar contas de atos praticados. A ética deixa de ser um diferencial. Não que ela tenha perdido importância. Mas ser ético é uma obrigação, uma condição para a perenidade, que nem deveria ser vista como algo extraordinário.

Infelizmente, a mudança é lenta e há ainda um longo caminho pela frente. Há pouco o Brasil recebeu a nota 3,8 (numa escala de 0 a 10) no Índice de Percepção da Corrupção do Transparency International. O país figura na 76ª posição entre 168 nações ranqueadas. Já pesquisa da consultoria Deloitte revela que 55% das empresas entrevistadas enfrentaram casos de corrupção no dia a dia de suas operações.

O caminho é longo, como dito antes, mas caminhar na direção certa é preciso. A Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF) tenta fazer isso ao lançar uma política interna de Compliance. A intenção é fortalecer ainda mais a atenção ao cumprimento, pela entidade, de todas as normas e legislação vigentes. Além disso, a iniciativa busca ter caráter educativo, incentivando que mais e mais empresas adotem esse padrão de vigilância permanente para a adoção de boas práticas.

Os valores éticos, ambientais e sociais dão força e sustentabilidade às empresas e entidades e melhoram a qualidade de vida de todos. Já está mais do que na hora de a Lei de Gérson ser vista como peça de museu.

 

Autoria de:

Sander DeMira

Presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis

http://www.acif.org.br/